quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Do mar ao forró, várias opções




A promoção de Sergipe como o mais novo destino de viagens da região nordeste é uma das prioridades da política de turismo do estado. A estratégia inclui campanhas publicitárias nos principais polos emissores, parcerias com operadoras, investimentos em obras de infraestrutura e ações de capacitação profissional. Até 2010, a meta do governo estadual é investir mais de R$ 140 milhões no setor.
O estado ainda quer ampliar oportunidades de negócios com a interiorização da atividade turística, graças a obras estruturantes na malha viária, como a recem entregue Rota do sertão, que liga a capital Aracaju a Canindé do São Francisco, local dos famosos cânions de Xingó. Há outros projetos em andamento como a Ponte Joel Silveira, no litoral sul de Aracaju, e a Ponte Estância-Indiaroba, que consolidará a ligação entre a capital de Sergipe e Salvador na Bahia. O aeroporto Santa Maria em Aracaju também será revitalizado.
O estado de Sergipe, com uma área de 21,9 mil quilômetros quadrados é conhecido por seu litoral de aguas mornas, cidades históricas e festas populares. A pequena São Cristovão, a 25 quilômetros da capital, foi fundada em 1590 e é considerada a quarta cidade mais antiga do Brasil. O conjunto arquitetônico, com igrejas, convento e sobrados coloniais é tombado pelo patrimônio histórico e artistico nacional.
Famosas também são as festas dos santos de junho - Santo Antônio, São João e São Pedro - que atraem mais de 300 mil visitantes do Brasil e do exterior, segundo estimativa do Emsetur (Empresa Sergipana de Turismo). Há eventos tradicionais na temporada junina, como o Forrocajú e o Arraiá do Povo, em Aracaju. O primeiro, criado em 1993, dura 15 dias e oferece mais de 60 atrações musicais, com acesso gratuito e muita segurança num espaço de eventos especialmente criado no centro da capital, entre os mercados municipais Albano Franco e Thalez Ferraz. Já o Arraiá do Povo, acontece na orla da praia de Atalaia, considerada uma das mais belas orlas do imenso litoral brasileiro. Este ano dezenas de bares e restaurantes, além de sete stands com produtos artesanais sergipanos foram montados na praça de eventos local.
Para direcionar o fluxo de turistas para o interior durante o ciclo junino, o governo selecionou 15 municipios âncoras, quer receberam um aporte de mais de R$ 1 milhão para as comemorações. Uma das cidades escolhidas foi Estância, no sul do Estado, famosa por atrações como a guerra de espadas e corrida do fogo. Em capela, municipio a 67 quilômetros da capital, o destaque é a festa de São Pedro, capaz de gerar 5 mil empregos diretos e indiretos. A cidade de 28 mil habitantes, tem sua população duplicada no período e há planos de se construir, em 2010, um forródromo com capacidade para 150 mil pessoas.
A reconstrução da Rota do Sertão, que inclui 216 quilômetros de rodovias estaduais entre os municipios de Itabaiana e Canindé do São Francisco, foi entregue em maio, exigindo investimento de R$ 51 milhões. O Trajeto liga dez municípios e viabiliza maior aproveitamento do potencial turístico da região, que inclui uma das rotas mais procuradas pelos viajantes, depois da capital: O Cânion de Xingó. A região virou um talismã para o turismo sergipano depois da construção da barragem da usina hidrelétrica no rio São Francisco, em 1988. As corredeiras são navegáveis e permitem passeios de barco entre as formações rochosas. Atividades como rapel, mergulho, canoagem e trekking são oferecidas no local.
Em 2010, a ponte Joel Silveira já deverá estar facilitando a chegada à capital do estado. Ele ligarã a região do mosqueiro em Aracaju ao litoral sul do estado cruzando o rio Vaza Barris. A ponte de 1.080 metros de extensão e 14,2 metors de largura, custou R$ 51,1 milhões.
Outro projeto na agenda do governo é a Ponte Estância-Indiaroba, sobre o rio Piauí, avaliada em R$ 125 milhões. A obra de 1,7 mil metros de comprimento cria um importante eixo rodoviário entre Sergipe e Bahia, além de facilitar a chegada de turistas de outros estados.
No centro comercial de Aracaju, uma das novidades esperadas para 2010 é a reativação da Rua 24 Horas, um minishopping de dois pavimentos que liga a Praça Olimpio Campos à Rua de Laranjeiras. O projeto prevê uma unidade de atendimento ao cidadão, com serviços de órgãos da administração pública, além de facilidades relacionadas à atividade turistica, como caixas eletrônicos, agências de viagens, lanchonetes e cinema.
O aeroporto de Aracaju também será reformado. O projeto prevê a construção de um novo terminal de passageiros com quatro pontes de embarque e capacidade para receber perto de 2 milhões de passageiros por ano. Segundo a Infraero, o complexo atende uma média mensal de 55 mil passageiros em 15 voos diários. A ampliação do pátio de aeronaves e um novo estacionamento para os usuários estão previstos na obra.
Enquanto isso, companhias aéreas como TAM e Trip investem em conexões para o terminal.
A TAM criou uma nova linha partindo de Manaus para Aracaju, com escalas em Santarem, Belem, São Luiz, Fortaleza e Recife. "O nosso desafio é consolidar Sergipe como o mais novo destino turístico do nordeste, aumentando o fluxo de viagens e elevando a participação do setor na formação do PIB sergipano", assegura o Secretário de Planejamento e Turismo Jorge Santana
Para qualificar a mão de obra necessária para receber bem o turista, a Emsetur mantem o progra de educação continuada - Sergipe de Braços Abertos - que oferece cursos técnicos, desenvolve ações de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes e ainda conscientiza a população sobre a importância de atender bem os visitantes. "Desde 2008, cerca de 500 profissionais passaram por algum tipo de treinamento, em um investimento total de r$ 800 mil" diz o presidente da Emsetur, José Roberto Lima. A metodologia dos cursos fica a cargo do Senac e incluem aulas sobre atendimento em restaurantes, aperfeiçoamento de garçons, cozinheiros e recepcionistas para eventos, além de idiomas para guias e taxistas. "A capacitação é fundamental para que a política de turismo do Estado atinja seus objetivos"

Fonte:
Transcrito de Revista Valor Econômico - Estados pág. 74 a 77, com ajustes.
por Jacílio Saraiva

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